‘Minha fatura do mês veio R$ 18 mil’: David Almeida explica viagem

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Prefeito justifica gasto elevado com despesas pessoais durante viagem oficial e nega uso indevido de recursos públicos.

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou nesta quinta-feira (27) que gastou R$ 18 mil com recursos próprios em sua viagem à ilha caribenha de Saint Barth, realizada durante o Carnaval deste ano. A declaração foi dada durante entrevista à jornalista Cynthia Blink, após o lançamento do programa “Dívida Zero”, no Centro de Cooperação da Cidade (CCC).

Minha fatura do mês veio R$ 18 mil. Eu paguei as despesas com o meu recurso. Paguei a hospedagem com o meu recurso. Minha alimentação com o meu recurso”, disse Almeida. O prefeito também afirmou que viajou no mesmo avião que o governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), e negou qualquer irregularidade.

David Almeida diz que pagou viagem ao Caribe com recursos próprios

A viagem de David Almeida à ilha de Saint Barth está sendo investigada pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). As investigações apuram se houve uso de dinheiro público ou se as despesas foram custeadas por empresas com contratos com a Prefeitura de Manaus.

Cada um pagou as suas passagens, as suas despesas e a viagem não teve nenhum centavo de recursos públicos”, reforçou o prefeito. A declaração ocorre em meio a questionamentos levantados por vereadores de oposição e por entidades da sociedade civil sobre a origem dos recursos utilizados na viagem.

Investigação do TCE-AM e MPAM analisa possível conflito de interesses

O TCE-AM instaurou processo para apurar se houve eventual conflito de interesses na viagem de David Almeida. O foco das investigações está em identificar se fornecedores da Prefeitura de Manaus financiaram parte da estadia ou deslocamento do prefeito.

O MPAM, por sua vez, abriu procedimento preliminar para verificar se há indícios de improbidade administrativa. A apuração considera a possibilidade de violação à Lei nº 8.429/1992, que trata dos atos de improbidade cometidos por agentes públicos.

Segundo o Ministério Público, a investigação busca garantir a transparência e legalidade no uso de recursos e na conduta de agentes públicos. Caso sejam encontradas irregularidades, o processo pode resultar em sanções administrativas, civis e até penais.

Viagem ocorreu durante o recesso de Carnaval

A viagem de David Almeida ocorreu durante o período de Carnaval, entre fevereiro e março deste ano. O prefeito não estava em missão oficial e não utilizou agenda institucional no exterior. A ilha de Saint Barthélemy, conhecida como Saint Barth, é um destino turístico de alto padrão no Caribe francês.

O deslocamento coincidiu com a presença de outros políticos amazonenses, incluindo o governador Wilson Lima. A coincidência gerou questionamentos sobre a eventual articulação conjunta e sobre a origem dos recursos utilizados por ambos os gestores.

Repercussão política e institucional em Manaus

O caso gerou repercussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Parlamentares da oposição protocolaram requerimentos solicitando explicações formais do prefeito sobre os custos da viagem. A vereadora Professora Jacqueline (União Brasil) afirmou que a população merece “clareza sobre o uso de recursos e a conduta ética dos gestores”.

Além disso, movimentos sociais e entidades de controle social, como o Observatório do Gasto Público, solicitaram que o TCE-AM disponibilize os documentos da investigação. A pressão por transparência reflete a crescente demanda da sociedade por integridade na gestão pública.

Contexto político e possíveis desdobramentos

David Almeida é pré-candidato à reeleição em 2024. A controvérsia em torno da viagem pode impactar sua imagem junto ao eleitorado, especialmente em um cenário de crise econômica e aumento da desigualdade social em Manaus.

Segundo pesquisa do Instituto Veritate, 62% dos manauaras consideram que os gestores públicos devem evitar viagens pessoais durante o exercício do mandato, mesmo em períodos de recesso. A percepção pública sobre o caso pode influenciar o desempenho eleitoral do prefeito.

Especialistas em direito administrativo alertam que, mesmo que não haja uso direto de recursos públicos, a aceitação de benefícios indiretos por parte de fornecedores pode configurar enriquecimento ilícito ou vantagem indevida, conforme previsto na Lei de Improbidade Administrativa.

Transparência e prestação de contas como exigência da sociedade

O episódio reforça a importância da transparência na vida pública. A Constituição Federal, no artigo 37, estabelece que a administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Em Manaus, a Controladoria-Geral do Município (CGM) e a Ouvidoria Municipal também podem ser acionadas pela população para solicitar esclarecimentos sobre a conduta de agentes públicos. Canais como o Portal da Ouvidoria permitem o envio de denúncias e pedidos de informação.

O caso envolvendo David Almeida será acompanhado de perto por órgãos de controle, imprensa e sociedade civil. A conclusão das investigações do TCE-AM e do MPAM poderá definir se houve ou não irregularidades na conduta do prefeito.

Impactos na imagem institucional e governança

Casos como esse afetam diretamente a imagem institucional da Prefeitura de Manaus. Em um momento em que a gestão pública é cobrada por eficiência e responsabilidade, situações que envolvem gastos pessoais de agentes públicos ganham repercussão significativa.

Analistas políticos avaliam que a resposta de David Almeida, ao assumir publicamente os custos da viagem, busca preservar sua credibilidade. No entanto, a manutenção da confiança da população dependerá da conclusão das investigações e da transparência no processo.

Enquanto isso, a gestão municipal enfrenta desafios como a mobilidade urbana, saneamento básico e segurança alimentar, temas que exigem foco e recursos. A população espera que os gestores priorizem ações concretas e prestação de contas efetiva.

Conclusão das investigações deve ocorrer nos próximos meses

O TCE-AM e o MPAM ainda não divulgaram prazos para a conclusão das apurações. No entanto, fontes ligadas aos órgãos indicam que os processos devem avançar nas próximas semanas, com a coleta de documentos, depoimentos e análise de movimentações financeiras.

Enquanto isso, David Almeida segue cumprindo agenda institucional e reafirmando que não utilizou recursos públicos em sua viagem ao Caribe. A confirmação ou não dessa versão será essencial para definir os próximos passos do caso.

A sociedade civil, imprensa e órgãos de controle seguem atentos. A expectativa é que a apuração seja conduzida com rigor técnico e imparcialidade, garantindo a integridade das instituições e a confiança da população na administração pública.

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